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Arbitro da final da Copa de 86 e primeiro a expulsar Pelé de campo, vive anônimo em Caldas Novas.

Arbitro da final da Copa de 86 e primeiro a expulsar Pelé de campo, vive anônimo em Caldas Novas.

Léo Lib

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Ele é uma referência mundial. Um ícone do esporte nacional. Uma referência no futebol. Não, nunca vestiu a camisa da seleção brasileira. Nem qualquer outra camisa. Estamos falando de um árbitro. Não qualquer árbitro. Falamos de ROMUALDO ARPPI FILHO, o segundo brasileiro a apitar uma final de Copa do Mundo.

O ano era 1986. O Brasil vinha com os “caquinhos” juntados daquele inferno de 82, a Itália e seu furacão Paolo Rossi. A base da seleção era aquela, com 4 anos e muitas contusões a mais. Tanto que Zico e Sócrates estavam no banco, atormentados por contusões e má fase. O local era o México, mítico México onde Pelé, Tostão, Jair, Rivelino, Gerson conquistaram definitivamente a Jules Rimet e galgaram o degrau final da imortalidade, até que um pênalti perdido por Zico no meio do jogo, e outros dois, perdidos por Sócrates e Julio Cesar, um zagueirão fantástico que chutava pra onde o nariz apontava, coube a um brasileirinho de São Vicente – SP, ser o Brasil na final.

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Se, em 1970, a Copa foi de Pelé, 86 foi de Maradona, com aquele gol antológico em que driblou meio time da Inglaterra, ou com aquele outro que passou para a história como “La mano de Dios”.

Se em 82, o melhor árbitro do Brasil apitou a final que merecíamos estar, em 86, a história se repetiu. O melhor árbitro brasileiro, Romualdo Arppi Filho, depois de duas atuações impecáveis (França 1×1 União Soviética e México 2×0 Bulgária), Romualdo foi escolhido para apitar aquele 3×2 da argentina sobre a Alemanha, com uma atuação impecável.

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Mas, quem é e como vive hoje Romualdo Arppi Filho?

Nascido em São Vicente – SP, em 07 de janeiro de 1939, Romualdo começou a apitar, pasmem, aos 14 anos de idade. Ao 20 já era árbitro profissional. Além da final da Copa de 86, Romualdo apitou em 3 olimpíadas (México 68, Moscou 80, Los Angeles 84), duas finais de campeonato brasileiro (84 e 85) e a final do mundial interclubes (84), e é considerado por muitos o melhor árbitro da história do futebol no Brasil. Quem comenta é outro grande árbitro, Oscar Roberto de Godoy: “”Ele merece todo o respeito. Foi excelente. E continua sendo.” Ao todo, Romualdo, só de campeonato brasileiro, dirigiu 254 partidas. Seu último jogo, em 1989, foi um reconhecimento a sua glória; em 20 de agosto de 1989, Romualdo apitou, pelas eliminatórias da Copa de 90, Colômbia 2×0 Equador, onde teve, novamente, uma atuação impecável.

Muitos acham que o árbitro Armando Marques foi o primeiro a expulsar o Pelé de campo, mas na verdade, Romualdo Arppi Filho foi quem teve que tomar essa atitude. “Foi no jogo entre Botafogo de Ribeirão Preto e Santos e infelizmente eu tive que pedir para o Edson Arantes do Nascimento sair de campo por que ele deu um pontapé no Antônio Juviel”, relembra.

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Pai de 3 filhos, hoje com 76 anos, esse avô, apaixonado declarado pela neta, há cerca de 20 anos aportou em Caldas Novas – GO, onde assumiu o anonimato e a vida tranqüila. Para ficar mais próximo dos filhos que moram em Brasilia, Romualdo hoje transita anônimo pelas ruas de Caldas Novas, sem ser reconhecido, e divide seus dias entre visitar os filhos, uma boa pescaria, e o dia a dia da pacata capital das águas quentes. “Gosto de relembrar as coisas boas e ruins, descansar e curtir a vida normalmente, lembrando com orgulho o que passou”, afirma.

Romualdo sempre teve posições fortes, até na hora de declarar seu time de coração: “Eu torcia pela Portuguesa Santista em Santos. Inclusive, antes de ser árbitro de futebol eu era sócio da Portuguesa Santista e apitei um campeonato amador da Portuguesa Santista, em Santos. Por isso que depois eu segui como árbitro”.

Esse cidadão, brasileiro, notório, hoje cidadão de Caldas Novas (levantamos informações e sabemos que é eleitor de Caldas Novas), merece ser conhecido. Merece homenagens. Por tudo que significou para a história do esporte nacional.

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Em tempo: Em 1984, após a final do brasileiro (Vasco 0x0 Fluminense) que Romualdo apitou, esse cronista que vos escreve foi convidado para apitar um jogo de várzea. Durante o jogo, percebi algumas pessoas me chamando de “Ganso”. Ao perguntar porque, me disseram que era o apelido do juiz da final, o Romualdo, que era magrinho que nem eu. A partir daí, passei a acompanhar sua trajetória e a “torcer” pelo juiz. Quis o destino que eu viesse morar na mesma cidade que ele. Ainda não o conheço pessoalmente, mas para mim, essa proximidade só tem uma definição; Uma honra!

Fontes: Wikipedia, Unisanta.br, terceiro tempo.

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Um comentário

  1. Maria do Divino Audioso

    Parabéns Léo Lib!
    Agora com certeza acabará o anonimato do Sr. Romualdo.
    Mas foi muito bom saber que temos uma pessoa tão importante em Caldas Novas.
    Abraços a Vanessa e a você.
    Tenhas um abençoado domingo!

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