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A ditadura do “não me toques”…

A ditadura do “não me toques”…

NÃO-ME-TOQUE

 

Vivemos um tempo muito louco. Todo mundo hoje se sente ofendido por qualquer coisa. E, estando ofendido, querem um pedido de desculpas. Normalmente judicial e arbitrado em valores por um juiz. Se não for assim, eles não perdoam.

E como o povo tem se ofendido fácil. Inventaram até uma figura “bolinatória” de nome Bullying. É… escrito assim mesmo, com y e i juntos pra provar o dano. Uma bolinação verbal.

Pois é… Lembro do meu tempo de escola, “quatro olhos, magrelo, comprido, CDF”, de tudo fui chamado. Talvez porque eu tivesse 1m85cm, pesasse 57 kg, usasse um óculos enorme fundo de garrafas e fosse um dos melhores alunos da sala. Isso é bullying? Não, era atestado de competência, mas enfim… Se fosse pra me sentir ofendido… Um dia, um colega, no Dom Bosco, colégio conceituado de Brasilia, não vou citar o nome do colega porque ele hoje é ator, na Rede Globo de televisão, e é lógico que vou citar que pouco tempo depois ele foi expulso do colégio, eheheh, e por causa disso pode achar que eu estou violando seus “direitos de imagem”, na escada que dava acesso ao pátio, soltou sua gracinha pra mim: “ô grandão, ta frio aí em cima?” E minha resposta veio a jato “Sei não, pega aí no termômetro aí embaixo e vê”. De quem foi o “bullying” ? Meu ou dele?

Na verdade, vi massacres psicológicos no meu tempo de escola, mas a grande maioria era só zoação.

A gente ficou frágil com o tempo. Eu fui um menino danado, tai dona Silvia, minha mãe, pra provar. E ela me “medicava” com chinelo e com castigo. E cresci um homem de bem. Hoje, menino danado tem “déficit de atenção”, é “bipolar”, o castigo é tomar ritalina e respiridona, e se o chinelo cantar, papai e mamãe vão ser processados por uma figura fiscalizadora chamada “conselho tutelar”. É malandro… sinal dos tempos.

Mas o dodói, a fragilidade social que acometeu as cabeças do século XXI, não são só na educação de crianças e adolescentes. Vejam só o Facebook. O povo entra no Facebook que serve para substituir o psiquiatra, desabafar neuras, despejar suas revoltas, sociais matrimoniais, espirituais, enfim.

Dia 23, aniversário de um amigo de quase 20 anos, que a quase 20 anos eu chamo de Negão. Apelido carinhoso. Até porque não tem nada de pejorativo. Até na virilidade… porque um negão é um negão né gente? Temos que reconhecer, chamar o cara de Negão é reconhecer nossa inferioridade genital. Porque os caras receberam um presente da natureza. É sério. Um negão em estado de preguiça é mais volumoso que dois branquinhos assanhados. Então, quando você chama o cara de negão, ta fazendo uma reverência.

Pois é, voltando ao assunto, aniversário do Negão, e eu, na linha do tempo dele, coloquei: “Feliz aniversário Negão!” Três comentários depois, uma ilustre desconhecida colocou que chamar ele de Negão poderia ser entendido como preconceito racial. Olhei, emputeci, mas não respondi. Sei lá quem era a ilustre dama. Daí o Negão veio em minha defesa: “Fulana, minha amiga, ele é meu brother há 20 anos e não tem nada de preconceito, é até uma forma carinhosa”. Pois aí a fulustreca respondeu: “É preconceito racial sim e você acobertando é cúmplice”. Hã? O Negão meu amigo de 20 anos é cúmplice de preconceito racial porque eu o chamei de Negão carinhosamente e ele não se ofendeu? Como assim?

Tem mais. Ainda no Facebook, apareceu uma velhinha, cheia de traumas e frustrações, colocou um problema pessoal dela e completou: A culpa é dessa #*&!!! De administração, desses $$&*¨¨@@@!!!! De vereadores, deputados, da @#%$$!! Da presidente.

Um rapaz colocou abaixo “nossa, tia, que boca suja!” E ela respondeu: “Tia é a vaca da tua mãe, seu filho duma *uta, estou salvando a tela e vou te processar, você está me difamando seu bosta! Aguarde o contato do meu advogado!”

É mole?

Parei para pensar, como foi que chegamos a isso.

São muitos direitos e poucos deveres. A falta de reconhecimento de que seu direito termina quando começa o do outro. Esquecem que o ônus da prova é de quem acusa, e se você chamar alguém de ladrão ou corrupto vai ter que provar. Ou então ter que depositar suas “desculpas” todo mês numa conta judicial que será revertida em “reparação moral”.

Ah, achou injusto? Mas como assim? Fomos nós mesmos, com nossa visão distorcida de justiça que inventamos essa reparação. Ou era isso ou 30 dias de cadeia.

É que no Brasil, a maior dor é a do bolso, então é o que você mais sente. E não venha me dizer que chamar um corrupto de corrupto e ter que indenizar por isso é injusto, porque nós inventamos a figura do deputado despreparado, quase analfabeto (mas é oriundo do povo!) legislando, ou seja criando leis. Daí, você só pode esperar lei emocional. Lei racional, espere de juristas. Esse estudou e se preparou pra fazer leis. Deputado não. Deputado serve, na teoria, pra dizer se a lei, depois de criada, é útil ou não. Votar por sua aprovação ou rejeição. Mas não. No Brasil, quem menos entende de lei, as cria. E você é responsável sim senhor ou senhora. Como é responsável, por exemplo por uma lei que é anti-racismo, mas que diz que negros tem que ter cotas, a meu ver insinuando que no mano a mano, ele não teria estrutura para competir de igual para igual com brancos, e por isso precisam de vagas asseguradas correndo por fora. Paradoxal não?

Paradoxal é exigir um respeito que não damos. E se doer de bichice, ops, sinto muito, se doer de metro-sexualidade, quando alguém usa um termo para se referir a um comportamento, que exprime exatamente o que é aquele ataque de purpurina, por isso se torna ofensivo. Lembro que, de acordo com a evolução da viadagem desse comportamento politicamente correto, uma análise da nomenclatura de nosso escultor maior, que em sua época era conhecido por “Aleijadinho”, no século XX se tornou, o escultor “Deficientezinho físico” e não satisfeitos, no sec. XXI já o rebatizaram de “portadorzinho de necessidades especiais”. Ora, tenham santa paciência. Querem democracia praticando a ditadura dos “termos fru-frus”, para satisfazer suas frágeis definições psicológicas de sua baixa auto-estima. Pois é… sendo politicamente correto na terminologia, acho isso “um comportamento de baixa temperatura, com sopro de uma brisa leve (frescura) e quero que os defensores desse comportamento com baixo índice de testosterona (viadagem), vão se auto-copular (preciso mesmo dizer o que é???)”.

Acho que fui politicamente correto né?

 

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